Correio da Tarde
24/07/2008

Demora no atendimento da Receita Federal chega a mais de quatro horas

Publicada na Edição Número 0681 - Ano II
Salvina Miranda


Alberto Leandro
Idosa não tinha previsão de ser atendida, assim como todas as pessoas que estiveram Receita Federal
As enormes filas na Receita Federal estão literalmente tirando o sono dos natalenses e moradores de municípios do interior. Pessoas Físicas e Jurídicas estão acordando antes do sol nascer para tentar pegar uma ficha no Central de Atendimento ao Contribuinte (Cac) do órgão, que não tem estrutura física e nem de recursos humanos para atender a demanda. Alguns contribuintes afirmam que o tempo mínimo de espera para receber o atendimento é de mais de quatro horas. Nem os idosos têm atendimento preferencial e sofrem com tanta espera.

Quando a reportagem do CORREIO DATARDE esteve no local às 9h30 , as 400 fichas do CAC já estavam esgotadas. E quem procurou o local após isso, teve que retornar para casa, sem poder solucionar suas pendências. Esse foi o caso do professor Francisco Ponte, ele e sua mãe vieram de Santa Cruz para resolver um problema na Receita. Entretanto, assim que chegaram as fichas não poderiam mais ser distribuídas. "Eu estou tentando falar com alguém responsável para resolver, mas eu sei que não vou conseguir, dei a viagem perdida", lamenta.

Para piorar a situação, no meio da manhã uma queda de energia afetou o local, que ficou durante quase meia hora sem funcionar. "O painel que controla o andamento da fila ficou parado e o atendimento do mesmo jeito. Nós que chegamos aqui às 5h da manhã não sabemos mais a hora que vamos sair depois dessa queda de energia que comprometeu a ordem dos números de fichas", disse o contribuinte Arnaldo Torres.

A aposentada Maria Nunes, de 74 anos estava no local desde às 7h da manhã, e até o momento que nossa equipe esteve no local, ela ainda não havia recebido atendimento. "Minha ficha é a 36 especial, a última chamada foi a número 21. Até parece próximo, mas a lentidão para ser chamado é o que intensifica a demora", conta a filha da aposentada, Nilda Nunes.

Mercado de vagas

Uma contadora, que não quis se identificar, fala que a "bagunça" no órgão já é antiga e por causa disso já há pessoas vendendo fichas na frente do local. "Quando cheguei me deparei com uma situação dessas. O atendimento está tão desorganizado que as pessoas já estão comercializando seus lugares", afirma a contadora. Ela fala também que às 8h mais de 350 fichas já haviam sido distribuídas.

"Nós não sabemos o que deve ser feito, mas quem sabe transferir o atendimento de regularização do CPF para central do cidadão, ou direcionar melhor os contadores, montar um ponto só para recolhimento de boletos para pagamentos de DARF. Esses atendimentos básicos poderiam folgar muito o local", sugeriu a usuária.

Segundo o delegado adjunto da Receita Federal no Rio Grande do Norte, Paulo Guilherme, as filas no órgão são decorrentes do número reduzido de funcionários. "São 22 guichês, no entanto, apenas 15 pessoas estão atendendo a uma demanda de 500 a 600 contribuintes por dia. Nós estamos com um número reduzido de pessoas, depois da fusão da antiga Receita com a Receita Previdenciária, no ano passado muitos servidores resolveram sair daqui para o INSS", argumentou.

Paulo conta que as condições econômicas da potiguar cresceram e com isso o número de contribuintes também, mas “infelizmente a quantidade de funcionários não aumentou”.

Medidas

A Receita Federal está disponibilizando na Internet - www.receita.fazenda.gov.br - um serviço que mostra ao contribuinte pontos de atendimentos que ele pode procurar além da Receita. Desta maneira quem precisa usar do serviço não precisa ir até ao local para resolver suas pendências. Paulo Guilherme ressalta que esse serviço está disponível para contadores e empresas.
Outra medida que está sendo tomada pelo órgão é a transferência de atendimento para CPF. Nos próximos meses quem tiver problemas em relação a esse serviço poderá procurar as Centrais de Atendimento do Governo do Estado. A possível realização de concurso para contratação de mais funcionários está sendo estudada pela Receita Federal.

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