Atrativos culturais ficam fora de roteiro turístico em Natal
Publicado no Dia 05/05/2008
Allan DarlysonAlberto Leandro

Artesanatos poderiam ser mais vistos pelos turistas, reclamam vendedores e artesãos de Natal
O potencial turístico de Natal, a cidade do sol, vai além das belezas naturais. A capital do Rio Grande do Norte possui diversas outras opções para o turista que quer conhecer mais sobre a história e a cultura potiguar. O problema é a falta de divulgação e estrutura dos patrimônios históricos e culturais da cidade, para que assim, lugares como o Mercado do Peixe, o Mercado de Petrópolis e as feiras de artesanato entrem no roteiro turístico da capital.
Segundo a guia de turismo Mariana de Castro, da FM_Tur, a falta de uma estrutura voltada para o turismo e de divulgação são os principais fatores que influenciam a exclusão das feiras de artesanato e mercados do peixe e de Petrópolis do roteiro turístico da capital. "Os turistas procuram, prioritariamente, as praias e belezas naturais, mas também se interessam pela cultura do estado, principalmente, comidas típicas e artesanatos", constatou a empresária.
Os guias de turismo reclamam da falta de estrutura das feiras de artesanato, do desinteresse do poder público em incluir os mercados no roteiro turístico de Natal e da fragilidade da segurança pública. "Não existe um esforço no sentido de captar os turistas para esses lugares. Falta programação cultural, segurança e principalmente divulgação", criticou Flávio Luíz, proprietário da FM Tur.
Feiras de artesanato
Enquanto a Fortaleza do Reis Magos é visitada por milhares de turistas, a feira de artesanato, situada ao lado do patrimônio, fica abandonada. É o que dizem os artesãos e cozinheiros que trabalham no local. Segundo a artesã Ana Paula, 19 anos, vendedora da sua produção na feirinha, o problema maior enfrentado é gerado pelas empresas de turismo. "As empresas passam direto pelos quiosques. Só param de frente para a fortaleza. Quando saem de lá, colocam todo mundo dentro do ônibus e impedem que os turistas nos visitem para conhecer nosso trabalho e a produção de artesanato e comidas típicas no nosso estado", reclamou.
A dona de um dos quiosques especializados em comidas típicas do Rio Grande do Norte, Valdenira Gomes, há 17 anos no local, alerta para a diminuição do número de visitantes na feira. Segundo ela, em alguns dias a situação chega a desesperar. "Já teve dias aqui que eu não vendi um côco. Isso tudo por culpa dos guias que se acham donos dos turistas e os impedem de vir até aqui", reclamou.
Outro ponto de venda de artesanato e comidas típicas que também passa por um problema semelhante é a feirinha localizada no centro de convivência da UFRN. O número de turistas que visitam o lugar é reduzido. O quadro só muda em época de congressos da universidade.
A artesã Fátima Batista, 42 anos, conta que o número de vendas é quase insignificante durante quase todo o ano. "Nossa esperança é que chegue logo a época de congressos. Só assim o movimento melhora e conseguimos vender nossos produtos", disse.
Mercado de Petrópolis
Reformado pela prefeitura para criar uma estrutura para quem vem de fora, o Mercado de Petrópolis falhou em atingir seu objetivo. Artesãos, pintores e artistas em geral reclamam da falta de divulgação do local, que julgam o maior celeiro de artes da capital potiguar.
A artesã e cantora Ivete Pereira, há cinco anos no local, reclama da desvalorização do Mercado de Petrópolis por parte dos natalenses. "A nossa cidade precisa abrir os olhos para esse mercado. Aqui é onde tem os objetos de arte mais valiosos da cidade. Os turistas não sabem nem que isso aqui existe", declarou.
Estão presentes no mercado, obras de arte em diversas vertentes como pintura, artesanato e mosaico. Além disso, o local possui uma culinária voltada para o regionalismo do estado, com ginga, tapioca e outros quitutes que a cozinha potiguar oferece.
Mercado do Peixe
Reformado recentemente, o atual Mercado do Peixe, localizado na Ribeira, é elogiado pelos vendedores e donos de restaurantes. As pessoas que trabalham no local informaram que o fluxo de turistas é crescente e mostram satisfação com a estrutura que o espaço ganhou.
O vendedor Leandro Araújo, 21 anos, contou que, depois da reforma, o mercado ficou preparado para receber os turistas. "Estou aqui há 11 anos, a banca era do meu pai e passou para mim. Nunca vi uma época tão boa quanto hoje", afirmou o comerciante.
Mas nem todo mundo está satisfeito com as novas mudanças. Algumas pessoas fazem suas reivindicações. "Além do forró que toca aqui nos sábados e domingos, a prefeitura poderia implantar uma programação cultural inteira aqui. Assim, os atrativos seriam maiores. Um pouco mais de divulgação, também, acredito seria melhor", sugeriu dona Neves Barbosa, proprietária de um restaurante na praça de alimentação do local.

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