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Edição Número 1.819 - Ano VII - Natal e Mossoró, Quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012.
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Uma viagem ao século XIX com sabor genuinamente potiguar



Publicado no Dia 03/08/2009
Allan Darlyson

Respirar o ar puro do campo, degustar as delícias da culinária regional e ainda fazer uma viagem ao início do século XIX com características genuinamente potiguares. Já imaginou isso tudo em um só lugar? Essas sensações podem ser apreciadas a pouco mais de uma hora de viagem da capital, na fazenda Bom Jardim, localizada no município de Goianinha.

Com estrutura rústica de um local tombado como patrimônio histórico-cultural do Estado, em 2007, a fazenda Bom Jardim, antigo engenho de açúcar, se transformou, há nove anos, em referência para o passeio turístico no campo. O lugar, de propriedade da dona Helena Carvalho Araújo Lima, 87 anos, conserva suas características originais desde o século XIX, quando os primeiros parentes de Helena chegaram ao Brasil.

Além de proporcionar aos visitantes todo o bem-estar da vida rural, o turista que se propõe a conhecer a moradia de dona Helena tem uma verdadeira aula prática de história do RN, conhecendo a estrutura peculiar de uma antiga fazenda de engenho norte-rio-grandense, que guarda, nos cantos da casa, recortes nossa cultura.

Visita

Ao chegar à fazenda, o visitante é recebido por dona Helena, que com a ajuda de familiares leva os turistas para conhecer o peculiar jardim cultivado no local. Em seguida, a anfitriã apresenta cada canto da casa, contando a história dos móveis, objetos, cômodos e explicando os objetivos de seus antepassados [a família Araújo Lima, de origem portuguesa] ao construir, daquela forma, os espaços visitados.

Deglutido o conhecimento cultural que o patrimônio da família tem a oferecer, os apreciadores de uma boa aguardente são convidados a degustar o sabor da "Maria Boa", cachaça fabricada no local, e têm a oportunidade de conhecer também os animais que habitam a fazenda. Entre eles, um criadouro de Emas.

Depois, é hora de fazer um tour em uma trilha na mata atlântica de mucambo - que possui árvores catalogadas, além de ampla fauna e flora - existente dentro da propriedade. Terminada a trilha, os turistas degustam o sabor das frutas locais e são convidados para um passeio a cavalo, pelo extenso território da fazenda, que possui cerca de 700 hectares de extensão. O roteiro pode ser alterado conforme o desejo dos visitantes. O preço cobrado varia de acordo com os atrativos dos quais os clientes desejam desfrutar.

Gastronomia

Bem servidos de cultura e lazer, a passagem pelo campo termina com a refeição, que é inteiramente composta de quitutes regionais, como arroz de leite, galinha caipira, jerimum, entre muitas outras iguarias potiguares. Dependendo do horário da visita, o turista pode escolher se vai tomar o café da manhã, almoçar ou lanchar, na companhia dos Araújo Lima. O visitante também pode optar por uma programação que envolva mais de uma refeição.

Público

Desde que começou a receber visitas, em 2000, a fazenda Bom Jardim firmou convênio com vários receptivos de Turismo, que levam um grande número de visitantes ao local. Dona Helena já chegou a receber 10 mil turistas em um ano, em sua residência.
O público visitante que mais se encantava com as belezas do lugar era composto, em sua maioria, por estrangeiros, como Ingleses, italianos, escandinavos e, em menor número, alemães. Mas, com a baixa no recebimento de vôos charters, o público estrangeiro diminuiu bastante, de acordo com a filha de dona Helena, Catarina Araújo Lima.

"No início, tínhamos muitos estrangeiros na fazenda, mas, com a queda na receptividade de turistas internacionais, nosso público mudou um pouco, embora permaneça grande. Agora, recebemos muitos brasileiros. O interesse de pessoas que buscam conhecimento é crescente, principalmente de estudantes, em diversas áreas do conhecimento, como turismo e história, por exemplo", informou Catarina.

Início da atividade

A atividade turística da fazenda Bom Jardim foi iniciada sistematicamente por meio do convite de empresários de Receptivo da Pipa para atender aos turistas portugueses que começavam a chegar por vôos charters.

"A partir daí, visitantes de outras nacionalidades foram se incorporando, bem como grupos da Melhor Idade, estudantes de colégios e de cursos de faculdades. Eventualmente, são realizados, também, ensaios fotográficos, documentários, programas de TV e treinamento empresarial", relatou Catarina.

Economia

Depois de quase dois séculos, a economia da fazenda continua voltada para produção de cana-de-açúcar. Com o objetivo de ampliar suas atividades produtivas, implantou um novo engenho de produção de cachaça, o Engenho Mucambo, do qual se originam as cachaças Maria Boa e Mucambo, já lançadas no mercado.

Mario de Andrade

A presença de Mário de Andrade - um dos maiores escritores brasileiros - na propriedade dos Araújo Lima, em 1928, está sempre gerando visitas de universidades, entidades culturais e estudiosos, devido à importância histórica e o legado que ele deixou ao Estado.

Mário se hospedou no local quando fazia pesquisava a cultura popular pelo Nordeste. Na ocasião, Mário de Andrade descobriu Chico Antônio, cantador de cocos, hoje com sua obra reconhecida em todo o Brasil.






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