Médicos e servidores da saúde do Estado param para cobrar direitos
Publicado no Dia 24/09/2008
Salvina MirandaKatarina das Vitórias

Apesar da parada, mobilização dos médicos no Hospital Walfredo Gurgel foi fraca
Médicos e servidores da saúde de todo o estado realizaram hoje pela manhã, em frente ao Palácio da Cultura, o primeiro dia de paralisação das atividades que deve se estender até amanhã, no hospital Walfredo Gurgel. O Sindicato dos Servidores da Saúde junto com o Sindicato dos Médicos decidiram paralisar todas as atividades no intuito de que as reivindicações das duas categorias sejaem atendidas. Pedidos como reajuste salarial, pagamento dos salários e plano de cargos atrasados são os principais pontos de debate das categorias.
Mesmo com um número significativa de servidores em manifestação, o movimento no início da manhã ainda se mostrava tímido. Segundo uma das coordenadoras da Sindsaúde, Daguia Ferreira, funcionários de todo o Estado estavam a caminho de Natal, onde participarão de assembléia para debater a situação da classe. "Trabalhadores de Apodi e Mossoró estão aqui hoje para nos apoiar, no entanto, nesses municípios a parada só será realizada durante 24h", relata.
De acordo co o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira, até o final da manhã nenhum representante do governo havia se manifestado para tentar marcar alguma reunião ou apresentar alguma proposta para que um acordo fosse firmado e a paralisação finalizada. "Não tem agendado nenhuma conversa com o governo, e assim, como até agora nada foi resolvido vamos à Assembléia Legislativa. Lá, os deputados irão apresentar nossa situação", explica.
Desde junho os servidores da saúde do Estado realizam paradas de advertências para tentar implantar o Plano de Cargos e Carreiras, atrasados desde 2007, e o reajuste salarial - que deve ser reelaborado uma vez por anos, no entanto, há dois anos que ele não sofre nenhuma alteração. Além disso, as categorias lutam pelo pagamento dos plantões eventuais, que também está atrasado.
A representante do Sindsaúde relembra que de todos os pedidos colocados na pauta de notificação dos servidores, apenas um foi atendido por parte do governo, que foi a realização de um novo concurso público. Fora isso, todas as tentativas dos trabalhadores parecem inúteis. "Não dá para o secretário de Saúde dizer que vai fazer uma coisa, pois ele não decide esse tipo de assunto sozinho. Só que estamos sendo enrolados todos os dias, já que todos os dias são marcadas reuniões e sempre elas são desmarcadas, por isso que estamos aqui hoje", relata Dagui Ferreira.
Uma servidora, que não quis se identificar denunciou a falta de estrutura dos hospitais estaduais. "Quando chega ao ponto de faltar soro fisiológico é porque a situação está de um jeito que não tem mais como controlar, e isso está acontecendo. Nós estamos aqui não apenas para pedir dinheiro do governo, também queremos que as mínimas condições de atender os pacientes sejam dadas, porque os mais prejudicados com o descaso das autoridades é a população", declara.
Hoje pela manhã, a equipe do CORREIO DA TARDE esteve no Walfredo gurgel e constatou que que os médicos não tinham aderido a paralisação, e apenas os técnicos em enfermagem e profissionais do nível médio participavam do manifesto.
A assessoria de imprensa da unidade também nos informou que os atendimentos durante essa manhã foi tranqüilo, e mesmo com apenas 30% dessa classe de trabalhadores na escala, o atendimento encontra-se estabilizado, sem superlotação.
Porém, Geraldo Ferreira diz que com a escala de apenas 30% não é possível manter o atendimento adequado aos pacientes. "Com o atendimento apenas de urgência e emergência funcionando, e 30% da escala, não é o suficiente para atender uma demanda pesada", retrucou.

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