Animais e água recolhidos no Litoral Norte de Natal serão analisados
Publicado no Dia 10/03/2010
Bárbara AbreuCanindé Soares

Mais de mil moreias foram encontradas mortas ao longo de 15 quilometros de praias no litoral norte
As causas da mortandade de moreias e peixes, ocorrida no último fim de semana ao longo da costa norte de Natal ainda não foram esclarecidas. Especialistas da UFRN, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da ong Oceânica, coletaram na segunda e terça-feira, material para análises em laboratório. A água do mar e os animais foram coletados em quatro dos 15 quilômetros afetados, que atingiu as praias de Pitangui, Muriú, Maracajaú, Punaú e Jacumã.
De acordo com a bióloga da ong Oceânica, Luciana Link, entre as hipóteses para a intensa mortandade estão o aumento da temperatura da água do mar ou o envenenamento por algas marinhas tóxicas. "Temos algumas suposições, mas estimamos que o laudo final deva sair dentro de uma semana, se tudo ocorrer como previsto. O aumento natural da temperatura da água é uma forte hipótese e vamos avaliar ainda se os animais apresentavam alguma patologia. Estamos trabalhando ainda com a suposição de fatores", afirma. Ela acrescentou que, na análise da água serão avaliados se os índices de nitrogênio e clorofila estavam normais.
A autopsia dos peixes é necessária para saber se havia algum tipo de parasita no local. “Analisaremos também animais que vivem no fundo do mar, para verificar se a mortandade ocorreu em outras áreas", afirma.
A única hipótese que já foi descartada é a de derramamento de petróleo devido a atividade petrolífera na região. "Como estivemos no local e não foi encontrado nenhum vestígio, é uma hipótese descartada", explica. Segundo informações da Petrobras, não houve registro de vazamento de petróleo no litoral do Rio Grande do Norte decorrente de suas atividades de Exploração e Produção nos últimos dias, que pudesse justificar a morte das moreias e peixes.
O chefe do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN, Francisco Seixas, revela que é necessário a realização de uma nova coleta dos animais. "Nas primeiras amostras colhidas, os animais estavam em avançado estado de putrefação. Não foi possível realizar a análise do material coletado. Uma equipe irá ainda essa semana ao local para encontrar animais em situação que seja possível a avaliação e não deteriorados como esses se encontravam", informa.
Animais encontrados mortosAs moreias não foram as únicas espécies encontradas mortas na praia. Em número bem menor, peixes de outras espécies, como bagres e baiacus também foram localizados. "Foram mais de mil moreias encontradas mortas, quantitativamente elas representam bem mais, quase 80% dos animais marinhos localizados sem vida", ressalta a bióloga.
Segundo a analista ambiental do Ibama, Juliana Zagaglia, o instituto não realiza análises de material, apenas recolhe, por isso solicitou o apoio da Oceânica e da universidade. A analista afirma que fenômenos semelhantes já aconteceram em outros estados da região Nordeste. "Há cerca de dois anos, Bahia e Ceará apresentaram o mesmo problema e nunca foi descoberta a causa da mortandade. Estamos averiguando e acredito que podemos descobrir a causa aqui no Estado, mas o laudo final só será divulgado mediante os avanços nas investigações. Não tem como concluir de imediato", finaliza.

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