Chuvas: produtores do RN temem o futuro
Publicada na Edição Número 0612 - Ano II
Louise Aguiar
Warning: getimagesize(/dados-03/www/www.correiodatarde.com.br/public_html/_padrao/imgs/materias/mat_29615.jpg): failed to open stream: Permission denied in /dados-03/www/www.correiodatarde.com.br/public_html/semanais/materias/dsp_inf_materia.php on line 40
Augusto Ratis

Oito meses depois e a crise continua. Em setembro do ano passado, o Rio Grande do Norte ouviu o presidente do Comitê Executivo de Fitossanidade (Coex), Francisco de Paula Segundo, dizer que a fruticultura estava em crise. Naquela época, o gargalo era a instabilidade do câmbio, que deixou muita gente de cabelo em pé. Hoje, o dólar continua baixo e muitos fruticultores não plantaram este ano por conta dos prejuízos no ano passado. E além desse entrave, as chuvas dos últimos dois meses destruíram fazendas inteiras e o resultado é mais de R$ 117 milhões que vão descer pelo ralo.
A reportagem do CORREIO DA TARDE de 29 de setembro de 2007 fez uma radiografia das dificuldades do setor. Na época, Segundo atribuiu a crise à queda na cotação da moeda americana e destacou o Pólo Mossoró-Baraúna-Assú como o mais prejudicado, já que 80% da produção era voltada para o mercado externo. Mesmo assim, a fruticultura fechou o ano como a líder na pauta de exportações com o melão: foram 85,2 milhões de dólares enviados para o exterior. Este ano, pelo menos até março, o segmento já tinha rendido quase 95 milhões de dólares em exportações.
No ano passado, Segundo chegou a afirmar que os números refletiam apenas os contratos já firmados anteriormente entre produtores e exportadores e que o momento era mesmo difícil. Apesar da crise que atingiu todos os setores, as exportações fecharam o ano passado com crescimento de 10,5% em relação a 2006.
Enquanto o Governo do Estado comemorou o bom número, o presidente do Coex ressaltou que os índices não representam satisfação para os produtores. "Nós exportamos há muito tempo e temos um nome. Esses dados no balanço das exportações representam os negócios que a gente já fechou: se assinamos contrato para vender aquilo, é aquilo que nós iremos mandar para fora. Mas dizer que estamos ganhando dinheiro com isso, não estamos não", reforçou Segundo.
Oito meses depois a situação permanece a mesma. "Aquela crise que tivemos por causa do dólar fez com que muita gente não conseguisse plantar esse ano. Pequenas empresas que não tiveram condições de driblar a queda do câmbio não vão ter safra", destaca. Quem conseguiu sobreviver escolheu aumentar a produção e diminuir os custos.
Segundo explica que nessas situações tudo se resume a uma questão de oportunidade. Ele ainda conta que não houve demissões, mas uma otimização dos investimentos, inclusive o uso de menos adubo e novas tecnologias. "Fomos reaplicando tudo isso para ter um aproveitamento maior dos insumos", completa.
Se voltar para o mercado interno também foi uma alternativa encontrada para superar as dificuldades com o câmbio. Hoje cerca de 30% da produção de frutas fica em território nacional. Conforme explica Segundo, o consumo per capita do produto ainda é muito pequeno no Brasil e o crescimento desse nicho se dará em ritmo lento, na mesma velocidade que se dará a criação do hábito de comer frutas no brasileiro.
Perguntado se o sufoco já passou, o presidente do Coex é enfático ao afirmar que a situação apenas foi amenizada. Segundo ele, a maioria dos produtores ainda está "no vermelho" e um dos pleitos que tem feito ao Governo do Estado é o repasse dos créditos que possuem em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), bem como os recursos da Lei Kandir. Continua na página 41

voltar