Sé7ima Arte
Publicada na Edição Número 1064 - Ano IV
Por Fábio Queiroz - Blog: comentarioracional.blogspot.comWATCHMEN - O FILME
"Who watches the watchmen?" Quem vigia os vigilantes? Baseado naquilo que é conhecido como "a bíblia dos quadrinhos", Watchmen durante muito tempo recebeu a alcunha de infilmável. O diretor Zack Snyder aceitou o desafio e adaptou as 400 páginas da história em pouco mais de 2 horas e meia de filme. O resultado foi bastante satisfatório, principalmente para os fãs que esperaram mais de vinte anos para conferir a adaptação e foram presenteados com uma versão bastante fiel aos quadrinhos.
A história é bem adulta e um pouco complexa. Não espere um filme de super-heróis, carregado de todos aqueles clichês habituais, com uma história simplória e sem muitos atrativos. Em Watchmen, você não pode passar muitos segundos desapercebido com o que se passa na história, se não facilmente você irá se perder em meio aos inúmeros flashbacks, aos vai-e-volta da trama. Para começar, eles próprios não se denominam heróis, chamam-se de vigilantes (em inglês: watchmen). Em segundo lugar, são vários personagens diferentes que contam a mesma história. Toda a atenção é necessária para a compreensão perfeita do filme.
Vou tentar esclarecer um pouco mais a história para o leitor. Na década de 40, em Nova York, começam a surgir um grupo de mascarados que costumavam fazer justiça nas ruas e limpar toda a escória e sujeira que manchavam a imagem da cidade. Com o tempo e devido a variadas circunstâncias, esses heróis perderam a credibilidade e o prestígio junto à população. Muitos se aposentaram, alguns foram assassinados e outros simplesmente sumiram do mapa. Mas, perto da década de 80, uma nova geração se levantou e retomaram os antigos costumes de fazer justiça nas ruas. Mas logo foram impedidos após a publicação da Lei Keene, que proibia a ação de justiceiros mascarados. O mundo vivia um clima tenso devido aos constantes choques da Guerra Fria e perdeu todo e qualquer entusiasmo nesse tipo de heroísmo que era praticado. A história se passa em 1985 e se baseia nas anotações do diário de Roscharch, praticamente o único herói que continuou em atividade, apesar da ilegalidade.
Os personagens do filme, de forma bem explicativa, são: Edward Blake, o Comediante, herói da década de 40 que se manteve em atividade, mas trabalhando para o Governo. Roscharch, um dos mais interessantes da trama, sujeito frio e calculista que continuou lutando por seus ideais de justiça punindo a sociedade corrupta com mão de ferro. Dan Dreiberg, o Coruja, que copiou o disfarce do antigo Coruja da década de 40, mas que acabou se aposentando depois da Lei Keene. Dr. Manhattan, fruto de um acidente no laboratório de física nuclear, o que antes era um homem acaba se reintegrando na forma de um super-herói, quase um semi-deus, com vários poderes mas que se mantém indiferente aos assuntos e interesses humanos. Laurie, a Espectral, moça que aproveitou o sucesso da mãe na década de 40 e reutilizou o nome e a vida de heroína, é a atual namorada do Dr. Manhattan. E, por fim, Adrian Veidt, ou Ozymandias, considerado o homem mais inteligente do mundo que se aposentou da vida de herói, mas não de seus ideais, para construir um império econômico.
Tudo começa com o assassinato de Edward Blake, o Comediante, de forma misteriosa. Sem qualquer resposta aparente, Roscharch é o único que crer que exista um assassino disposto a matar todos os heróis mascarados. As circunstâncias irão unir eles de novo nessa descoberta e na resolução dos problemas referentes ao mundo todo.
A adaptação dos quadrinhos para o cinema foi fiel ao extremo, conservou praticamente todos os diálogos e cenas importantes da trama; isso fez com que o filme ficasse um pouco longo (mas jamais cansativo) e um tanto difícil para leigos que não conseguem compreender tão facilmente o mundo dos Watchmen. As cenas de ação tem uma beleza plástica invejável; que já é característica do diretor, como ele fez com o filme 300. A trilha sonora é espetacular e bem constante, o que confere ritmo e vida à aura do filme.
Depois de Batman O Cavaleiro das Trevas se fez necessário uma nova compilação no estilo de super-herói para o cinema. Não dá mais aquelas histórias batidas, com a mesmice e os clichês de sempre. E Watchmen trata bem disso. Alan Moore quando escreveu a história, tratou de expor as fraquezas e dificuldades dos heróis, trouxe a tona seus defeitos, medos e inseguranças. Mostrou que as características que os compõe não são de outro mundo, como apesar de tudo são pessoas normais, de carne e osso, mostrando que possuem as mesmas fragilidades e problemas que qualquer um. Nos fazendo ver que esses são os verdadeiros heróis. Nós. Os humanos.
"O mundo olhará para cima e gritará: Salve-nos!... E eu sussurarei: Não!"
(Roscharch, de Watchmen)

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